quarta-feira, 1 de julho de 2015

“NADA ESPECIAL”

Imagem: Reprodução


 NADA ESPECIAL” 
(TRECHO DO LIVRO) Por Charlotte Joko Beck 



Nossos problemas decorrem do desejo. No entanto, nem todos os desejos criam problemas. Existem dois tipos de desejos: as exigências (“Tenho que ter isso”) e as preferências. As preferências são inócuas; podemos ter tantas quantas quisermos. O desejo que exige ser satisfeito é que é o problema. É como se nos sentíssemos constantemente com sede e, para saciá-la, tentássemos ligar uma mangueira a uma torneira na parede da vida. O tempo todo pensamos que desta ou daquela torneira iremos receber a água que exigimos. Quando ouço o que meus alunos tem a dizer, todos parecem sentir sede de alguma coisa. Podemos conseguir um pouco de água cá e lá, mas isso apenas nos tortura. Sentir sede, bastante sede, não tem graça nenhuma.

Quais são algumas das torneiras às quais recorremos para saciar nossa sede? Uma pode ser o emprego que achamos que devemos ter. Outra pode ser “o par ideal”, ou “o filho que se comporta sempre como deve”. Dar um jeito numa relação pessoal pode parecer ser o caminho para chegar naquela água. Muitos acreditam que por fim saciarão sua sede se enfim conseguirem dar um jeito em si mesmos. Não tem o menor sentido que o eu tente consertar o eu, mas insistimos em fazer isso. O que chamamos de nós mesmos nunca nos é muito aceitável. “Não consigo fazer o bastante”; “Não sou bem-sucedido o suficiente”; “Estou sempre com raiva, não valho nada”; “Sou mau aluno”. Exigimos um número incontável de coisas de nós e do mundo; praticamente qualquer coisa pode ser vista como desejável, como um soquete ao qual nos atarraxamos para podermos enfim conseguir a água que acreditamos necessitar. As livrarias estão repletas de livros de autoajuda proclamando vários remédios para a nossa sede: Como fazer seu marido amá-la, Como aumentar sua autoestima, e assim por diante. Quer pareçamos seguros de nós, quer não, por baixo dessa camada todos nós sentimos que alguma coisa está faltando.

Achamos que precisamos dar um jeito na nossa vida para saciar nossa sede. É preciso que criemos essa ligação, que instalemos nossa mangueira na torneira e recebamos a água para beber. O problema é que nada de fato funciona. Começamos a descobrir que a promessa que fizemos a nós mesmos « a de que, de alguma maneira, nossa sede seria resolvida » nunca é cumprida. Não estou querendo dizer que nunca gozamos a vida. Há muitas coisas na vida que podem ser intensamente desfrutadas: certos relacionamentos, certos trabalhos, certas atividades. Mas o que nós queremos é uma coisa absoluta. Queremos saciar nossa sede em caráter permanente, para que tenhamos toda a água que quisermos, o tempo todo. Essa promessa da completa satisfação nunca é cumprida. Não pode sê-lo. No instante em que conseguimos algo que quisemos, ficamos satisfeitos no momento e então nossa insatisfação aparece de novo.

Tentamos durante anos a fio ligar nossa mangueira nesta ou naquela torneira e a cada vez descobrimos que não era o suficiente, e então vem um momento de profundo desânimo. Começamos a sentir que o problema não está em nossa incapacidade de ligar um receptor a algo lá adiante, mas em que nada externo pode jamais satisfazer essa sede. É nesse momento que temos mais chance de dar início a uma prática séria. Esse pode ser um momento horrível: perceber que nada irá jamais nos satisfazer. Talvez tenhamos um bom emprego, um bom relacionamento ou família, e no entanto continuamos com sede — e nos damos conta de que nada realmente consegue satisfazer nossas exigências. Podemos inclusive perceber que mudarmos de vida « mudar os móveis de lugar » não vai funcionar também. O momento desse desespero é, na realidade, uma benção, o verdadeiro começo.

Uma coisa estranha acontece quando abrimos mão de todas as nossas expectativas. Temos um vislumbre de outra torneira, que até então tinha permanecido invisível. Ligamos nossa mangueira a ela e, para o nosso prazer, descobrimos que a água vem jorrando com força. Pensamos: “Agora sim! Consegui!”. E o que acontece? Mais uma vez, a água seca. Trouxemos para a própria prática todas as nossas exigências e de novo estamos com sede.

A prática tem de ser um processo de intermináveis decepções. Temos de enxergar que tudo o que exigimos (e até obtemos) irá depois nos decepcionar. Essa descoberta é nossa mestra. É por isso que devemos tomar cuidado com amigos que estão em dificuldades, para os quais não devemos demonstrar nossa simpatia acenando-lhes com falsas esperanças e promessas de tranquilidade. Essa espécie de simpatia « que não é a verdadeira compaixão » simplesmente retarda mais seu aprendizado. Em certo sentido, a melhor ajuda que podemos oferecer a alguém é apressar seu desapontamento. Embora isso pareça cruel, não o é, na verdade. Ajudamos aos outros e a nós mesmos quando começamos a enxergar que todas as nossas exigências habituais são mal direcionadas. Com o tempo, iremos nos tornar espertos o suficiente para antecipar qual será nossa próxima decepção, para saber que nosso próximo esforço de saciar a sede também fracassará. A promessa nunca é cumprida. Mesmo com muitos anos de prática, ás vezes continuamos buscando soluções falsas, mas conforme vamos em seu encalço, reconhecemos a inutilidade desse empenho com uma rapidez maior. Quando ocorre essa aceleração, nossa prática está dando resultados. Uma boa prática inevitavelmente promove essa aceleração. Devemos notar a promessa que desejamos arrancar das outras pessoas e abandonar o sonho de que elas possam saciar nossa sede. Devemos nos dar conta de que essa é uma iniciativa inútil.

Os cristãos chamam essa constatação de a “noite escura da alma”. Já esgotamos todos os recursos de que dispomos e não vemos mais o que fazer a seguir. E então sofremos. Embora seja um período de aguda infelicidade, esse sofrimento é o ponto de mudança. A prática nos conduz a esse profícuo sofrimento e ajuda-nos a permanecer nele. Quando assim fazemos, em algum momento o sofrimento começa a se transformar, e a água começa a fluir. Para que isso aconteça, todos os nossos lindos sonhos a respeito da vida e da prática tem que se despedir, incluindo a crença de que uma boa prática — aliás, qualquer coisa irá nos fazer felizes. A promessa que nunca será cumprida se baseia em sistemas de crenças, em pensamentos centrados na própria pessoa, que nos sustentam imobilizados e sedentos. Temos milhares deles. É impossível eliminá-los todos; não vivemos o bastante para isso. A prática não requer que nos livremos deles, mas que simplesmente enxerguemos além deles e os reconheçamos em seu vazio e em sua ausência de validade.

Jogamos esses sistemas de crenças para todo lado como arroz em festa de casamento. Aparecem por toda parte. Por exemplo, quando vai chegando perto do Natal, alimentamos expectativas de que essa seja uma época agradável e divertida, uma bela época do ano. Se esses dias de Natal não satisfazem nossas expectativas, ficamos deprimidos e contrariados. Na realidade, o Natal será o que for, quer nossas expectativas sejam realizadas, quer não. Da mesma maneira, quando descobrimos a prática zen, podemos alimentar a esperança de que isso irá solucionar nossos problemas e tornar nossas vidas perfeitas. Mas a prática zen simplesmente nos remete de volta à vida como ela é. A prática zen trata de sermos mais e mais as nossas vidas tais quais são. Nossas vidas são o que são, e o zen nos ajuda a reconhecer esse fato. O pensamento “Se eu cumprir essa prática com a paciência necessária, tudo será diferente” é um outro sistema de crenças, uma outra versão da promessa que nunca será cumprida.


sexta-feira, 20 de março de 2015

A infância e os nossos relacionamentos amorosos - Por Raquel Baldo Vidigal

Imagem: Reprodução


(...) A psicanálise estuda, reflete e busca o respeito ao psiquismo humano, levando em consideração a particularidade de cada sujeito, entendendo sempre suas vivencias, elaborações e defesas, conforme suas necessidades e angústias.  Assim o tema será abordado de forma generalista e nada teórica, pincelando apenas algumas ideias que podem ajudar em reflexões.
Quando falamos de relacionamento amoroso, temos tendência na maioria das vezes a apontar o outro (nossos parceiros) e através deles tentar explicar ou justificar nossos conflitos neste assunto, porém, venho convidar vocês a refletir sobre outro viés. Vamos falar primeiramente da base de nossa existência, considerando e refletindo sobre a nossa primeira relação de amor na vida: A mãe e seu bebê, onde tudo começa!
Conforme atitudes e orientações da mãe e do pai, a criança vivencia e busca limites e sensações sobre quem é ou quem deveria ser, assim como sobre o que deve ou não fazer.
Os cuidados que recebemos desde o nascer, assim como a falta deles, as experiências sentidas, vividas ou ausentes neste período são registros que teremos arquivados, mesmo que ocultos, como nossas primeiras sensações de vida. Os pais, normalmente são as pessoas mais próximas nos primeiros anos de vida, em conjunto a responsabilidade e expectativas que possuem sobre as crianças e por isso acabam tendo grande importância no desenvolvimento deste novo ser que chega ao mundo. Os pais possuem a importância de "emprestar" seu olhar, seu sentir, seus cuidados, conceitos, cultura, crença e movimentos aos seus filhos, até quem um dia possam se perceber e fazer por si mesmos.
A primeira experiência de amor que temos na vida está relacionada com sensações similares a que esperamos e buscamos em nossas paqueras, paixões e namoros, a de enxergar e ser enxergado, de ser acolhido ou rejeitado, de sentir segurança ou abandono. Esta experiência é "aprendida" e sentida enquanto ainda nem mesmo sabemos quem somos (se é que algum dia saberemos?!). O nosso primeiro ?estágio? de vida é muito misturado ao meio que nos acolhe, amamenta e cuida. Mãe e bebê são emocionalmente um só, durante um bom período, acreditam e sentem que precisam um do outro para viver. - Olha que interessante, este período, não nos lembra nossos momentos de paixão, onde acreditamos que sem o outro não vivemos ou não aguentamos, não superaremos... (vale pensar sobre isso).
Trazendo aqui de forma muito generalista e simplista, vale saber que após o nascimento e seus primeiros momentos/meses de vida o ser humano vai passar por algumas etapas em seu desenvolvimento onde irá viver a descoberta de si mesmo, do meio e da vida, e isso é sem dúvida alguma um período encantador. Mas ao mesmo tempo viverá as primeiras experiências de frustrações, perdas e angustias, que são igualmente fundamentais para que se desenvolva saudavelmente no emocional, criando resistências e aprendendo sobre suas superações. As experiências são diversas e cotidianas como: a perda do peito da mãe, da mamadeira, fralda, chupeta, quando descobre que a mamãe tem outro amor (o papai), quando tem que aprender a incluir mais pessoas em sua vida (ver e ser visto), ir para escola... Essas experiências tão cotidianas e aparentemente banais na verdade são as nossas primeiras experiências amorosas, de prazer ou desprazer com o meio. É aqui e assim que começamos a formar nossa existência, a formar quem seremos, o que sentimos e que faremos.
Algumas fases ou experiências possuem maior impacto ou intensidade na questão amorosa e na forma como nos relacionamos com o meio, e por isso muitos me perguntam frequentemente sobre o Complexo de Édipo. Sim, é uma etapa importante e ligada a questões amorosas, mas não porque é uma etapa e sim porque naquele momento de vida e do nosso desenvolvimento estamos abertos, curiosos e tendenciosos a observar alguns contextos conforme nossas necessidades. A criança em determinada época começa a se perceber e também a perceber o meio, por isso deseja (precisa) entender qual é o seu papel neste mesmo meio em que vive. Conforme atitudes e orientações da mãe e do pai, a criança vivencia e busca limites e sensações sobre quem é ou quem deveria ser, assim como sobre o que deve ou não fazer. É uma fase importante.
Pensando nesta linha, convido vocês a refletir comigo: se meus primeiros sentimentos e vivências usam como base os sentimentos e vivências de um outro ser (mãe, pai), será que realmente tudo que penso, sinto e acho é exclusivamente meu? Se eu aprendi a enxergar o mundo, percebê-lo, receber dele o que ele acha e espera de mim, será que realmente tudo que busco ou nego é puramente dos meus pensamentos?
Com essas reflexões podemos iniciar algumas elaborações pessoais e entender que muitas de nossas atitudes, ou falta delas, tendem a estar relacionadas a processos vividos e experimentados desde muito cedo (sendo bons ou não) e que se tornaram pertencentes a nossa existência.
Utilizando destes conceitos, apenas citados de forma muito generalista aqui, parece mais que natural esperar que os nossos conflitos amorosos sejam um aprendizado de nossas primeiras experiências amorosas na vida. Logo vale pensar que aquilo que esperamos, cobramos ou mesmo nem nos importamos de nossos parceiros são na verdade questões particulares e de nossa existência. O que faz alguém ficar ou não com outro alguém, superar ou não conflitos, na verdade tem uma explicação pessoal e ligada diretamente a nossas experiências vividas ou sentidas. Por isso, a tal história de que buscamos nossos pais, em nossas relações amorosas, mesmo quando escolhemos o oposto deles. Temos um desejo, às vezes consciente outras vezes nem tanto, de buscar aconchegos, proteção, elogios, aprendizados, compensações de faltas e fugas de angustias. Para viver ou reviver isso é fundamental a presença do outro, inclusive e até mesmo para descontarmos em cima dele nossas frustrações e agressões.
Agora, imagine que assim como você e suas questões particulares, seu (sua) companheiro(a) também possui as questões de existência dele(a). Faz todo sentido esperar por conflitos e dificuldades numa relação, certo? O que não quer dizer que terão problemas por conta disso.
Porém, quando houver conflitos relevantes no entendimento do casal, vale e muito tentar entender, buscar apoio e elaborações a seu respeito, sua historia. Conhecer mais sobre nossos medos, faltas, desejos e sonhos ajuda a entender que buscamos ou cobramos de nossa relação, a continuidade ou a chance de nossa construção enquanto ser, repetindo algumas sensações e vivências do nosso existir, como o de ser enxergado e enxergar o outro, de ser desejado e desejar, ser sustentado ou sustentar, assim como sentir ou descobrir a necessidade de ser importante para um outro. São muitas as necessidades.
Para terminar, vale ressaltar que talvez a grande complexidade de nossas relações amorosas é que buscamos no outro nós mesmos, desde sempre, desde nossos pais.

quarta-feira, 18 de março de 2015

A GERAÇÃO DOS FRUSTRADOS PROFISSIONALMENTE - POR MARI RIVAS

E quando você chega no emprego que queria, no cargo que sempre estudou para ter e percebe que está infeliz e perdido.? Tarde demais para mudar? Já se familiarizou com essa situação? Pois bem, é comum entre os jovens de hoje.


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Uma boa escola, depois uma excelente nota para passar no vestibular, depois a universidade, o estágio na empresa dos sonhos, o diploma, a pós graduação, a promoção tão esperada, um MBA e finalmente o topo, uma diretoria, presidência, o “ser chefe” demorou, mas chegou. E é esse o caminho do sucesso e da felicidade ensinado para nós desde que nos foi feita a pergunta: “O que você quer ser quando crescer?”. Acontece que muitas vezes o fim desse caminho resulta em jovens infelizes profissionalmente, mas conformados graças ao afunilamento mental feito pelas instituições de ensino da sociedade brasileira. A maioria dos brasileiros encara essa situação do descontentamento profissional como algo que “faz parte da vida”. Só que não deveria fazer. Mesmo.
Se eu pudesse voltar no tempo hoje, jamais teria feito faculdade. Sim, economizaria tempo, estresse e dinheiro. Sou publicitária e trabalho com comunicação online. A faculdade não me ensinou a escrever bem. Não me ensinou a ser eloquente com os clientes. Não aprendi a usar o Photoshop e nem a desenhar bem na faculdade. Não aprendi sobre Google AdWords e sobre as redes sociais na sala de aula tão pouco. Na faculdade, não obtive nenhum tipo de inspiração criativa e não aprendi a falar outras línguas. Mas aprendi um bocado nos cursos livres que já fiz. Nas aulas de teatro perdi a vergonha de falar em público e a me expressar. Nas palestras sobre tecnologia eu me vi curiosa para pesquisar mais sobre o assunto por conta própria. Viajar me ensinou mais duas línguas. Assistir um filme, ver uma exposição, uma peça e passar o fim de semana num festival me deram um montão de ideias. Se eu pudesse voltar no tempo hoje faria muitos cursos livres sobre tudo o que realmente gosto, desde história e filosofia, até programação de sistemas e por que não, culinária? Poderia até parecer uma bagunça aos olhos de uma empresa pouco visionária, mas com certeza hoje eu seria muito mais completa e realizada.
Claro que algumas pessoas nascem com uma vocação e utilizam a faculdade como ferramenta essencial nesse processo. Estudar o que gosta torna qualquer pessoa o melhor profissional de todos os tempos. Ok, já sabemos. Mas nem todo mundo nasceu pra isso. Provas. Testes. Pra quê? Quando você finalmente pode escolher o que quer fazer da sua vida lhe é apresentado um leque de cursos de graduação em que você obrigatoriamente deve escolher um. Nem todo mundo se encaixa nesse mundo tão limitado. Pessoas talentosas são jogadas de um lado pro outro como marionetes porque um dia lhe disseram que esse é o caminho certo a seguir.
Quem disse que a moça que comprou uma máquina de costura porque gosta de fazer alguns reparos é menos importante do que a que está na faculdade estudando Fashion Design? Ou que o rapaz que tem talento como artesão e que faz móveis lindos de madeira é menos importante do que o outro que estuda administração de empresas? “Ah é que com o curso de graduação você vai ter um trabalho melhor, vai ganhar mais dinheiro.” - Será? E até que ponto esse raciocínio vale a pena já que é a sua felicidade que está em jogo?
As pessoas não param e pensam no que estão fazendo. Tenho certeza que tem muita gente que abre a boca pra falar cheia de orgulho da sua formação, da carreira, mas que senta todo dia na mesa do trabalho e pensa “que saco”. E pronto. Foi-se uma vida.
Quem foi você? Que diferença você fez? Trabalhou bastante? Fez bastante dinheiro na sua carreira promissora? Que bom, parabéns.
Mas e ai?
A conclusão é que você nunca deve se acomodar e nunca deve parar de procurar uma resposta. Porque se você acha que já tem uma resposta para o que quer fazer da vida, é porque você está no caminho errado. O sentido da vida é exatamente o contrário. É buscar as perguntas. É se questionar. É parar e pensar que nem tudo precisa seguir uma exatidão, um caminho certo. É perceber que quando se está tendo a mesma opinião da maioria, você talvez deva pensar de um outro jeito. É se perguntar sobre tudo o tempo inteiro. E enquanto isso, escolha um trabalho que gire em torno da sua vida e não o contrário.

Fonte:  © obvious: http://lounge.obviousmag.org/di_sainha/2014/08/a-geracao-dos-frustrados-profissionalmente.html#ixzz3UkIMLIw8 
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Perto é muito longe - Fernanda Pompeu

Imagem: Haleigh Walsworth


A primeira vez que viajei para a Europa, eu tinha 39 anos. Como se dizia na época, minha cabeça “estava feita”. O que foi uma pena. Gostaria que a inspirada estética europeia  - de seus parques, museus, casarios, histórias - tivesse influenciado meus anos de formação. Mas outro pedaço do mundo cumpriu essa função. Foi na Colômbia, aos vinte e poucos anos, que inaugurei minha saída ao exterior. Logo depois, mochila nas costas, foi a vez da Bolívia, Equador e do maravilhoso Peru, com os encantadores Cusco e Machu Picchu.
Para todos esses lugares, retornei. Mas nunca senti o impacto da primeira visita. É claro que isso faz parte da natureza humana. Por isso a memória valoriza os primeiros: filho, beijo, carro, palco, anestesia geral, passeata, sexo bom. O contrário sucede com o rotineiro. Trilhar sempre o mesmo caminho pode nos dar conforto, segurança, mas também instaura o tédio. Daí a inquietante ambivalência em optar pelo sabido ou pelo desconhecido. Escolher entre o embarque doméstico e o internacional.
Para mim, o filé mignon de viajar para o exterior é a oportunidade de enxergar melhor como vivemos dentro. Por exemplo, descobrir o Brasil fora do Brasil. Parecido com a metáfora de deixar a casca do ovo para refletir com mais amplitude e perspectiva. Foi na Colômbia que descobri que dançar e festejar não era talento só dos brasileiros. Em Veneza, com seu caleidoscópio de canais e becos, tive a comprovação que mapas e guias nem sempre dizem a verdade.
É fato que viajar não é a única maneira de conhecer. Dizem que o carioca Machado de Assis (1839-1908) viajou, no máximo, para Niterói. Ou seja, apenas atravessou a baía de Guanabara. Mas ele percebeu o país de forma aguda e ímpar como demonstram seus vários livros. Da mesma forma existem pessoas que nunca saíram de seus grotões, mas conhecem o regime das marés, as fases da lua e o que dizem nuvens e estrelas. Gente que viaja sem sair do lugar. Modalidade muito interessante que não contratamos nem na internet, nem em agências de viagem.
O tempo, cicerone absoluto, vai nos mostrando a nascente e a foz dos rios de dentro, das paisagens da alma. Essas que dispensam filas de aeroporto, estações de trem, rodovias. Essas que ignoram fronteiras e dispensam passaportes. Já os rios de cada um fazem, com os cinco sentidos, mares escancarados.

9 motivos pelos quais fazer viagens românticas deve ser prioridade

Fonte: Think Stock
Viajar é uma forma de revelar os extremos das pessoas, desde as piores até as melhores partes do caráter. Por causa disso, viajar a dois pode ser o teste definitivo num relacionamento – a viagem romântica ajuda a descobrir os aspectos mais realistas um do outro. Confira a seguir nove razões selecionadas pelo PopSugar por que as viagens deveriam ser uma prioridade em qualquer romance.

1) Tira vocês dois da zona de conforto. Se você estiver viajando com alguém novo, a experiência pode ser extremamente imersiva. É claro, você pode aprender muito sobre um namorado quando ele mostra a cidade que nasceu, mas as verdadeiras descobertas sobre seu caráter irão chegar quando ambos estiverem num lugar desconhecido para os dois. As dificuldades podem ser estressantes, como ter o cartão de crédito bloqueado ou não saber falar a língua local; por outro lado, elas pode aproximar vocês dois de uma maneira sem igual.

Fonte: Think Stock
2) A oportunidade de fazer perguntas difíceis. Longas viagens de carro, avião, trem, caminhadas e cruzeiros são a ocasião perfeita para discussões profundas. Não tenha medo de perguntá-lo sobre sua infância, objetivos futuros ou ex-namoradas. É o momento!

3) Uma ótima oportunidade pra testar o comprometimento. Planejar viagens pode ser uma experiência polarizadora. Por exemplo, você pode descobrir que o seu namorado tem uma paixão enorme por museus de história – o que pode ser uma barreira para o seu desejo de explorar casa sebo da cidade. Quando situações assim aparecem, o importante é que você e o seu parceiro encontrem um programa que agrade a ambos. Que tal um passeio de barco? Ou, quem sabe, dar uma olhada em alguns sebos a caminho do museu?

4) Você conhece o indivíduo em seus piores momentos. Nada se compara ao momento que você se dá conta que o seu namorado não permite comida em seu carro novo, gosta de ouvir rádio de política na estrada, ou tem indigestões terríveis quando come pimenta. Pergunte a qualquer aeromoça: viajar pode revelar alguns traços de personalidade terríveis das pessoas! Terríveis.

Fonte: Think Stock
5) Novas experiências eliminam experiências desagradáveis. Você pode ter visitado o Taiti com o seu ex, mas o fim desastroso estragou pra sempre aquela memória. Pra sempre? Viaje com o atual e depois me conte se as experiências negativas superam as lembranças novas que você criou.

6) Vocês saem da ‘bolha’. Pode ser fácil cair na rotina, seja comendo fora toda quinta-feira, ou decidind o filme que vocês vão assistir no Netflix toda noite. Isso tudo pode ter seus benefícios, mas é sempre saudável sair da rotina: deixe a viagem virar esse jogo e quebrar a monotonia diária.

Fonte: Think Stock
7) Ele pode te surpreender. Você sabia que o seu namorado fala Mandarim, ou manja da cultura tailandesa? Este é o tipo de descoberta divertida que pode acontecer enquanto você está viajando com ele – e faz toda a diferença!

8) Vocês provavelmente vão discutir (e isso não é uma coisa ruim). Por mais incrível que viajar com companhia possa ser, também tem o potencial de deixar você maluca. Você e ele podem acabar tendo uma DR durante a viagem, entretanto você pode usar a situação para praticar sua capacidade de autocontrole, resolução de problemas, comunicação, perdão, e respeito ao espaço individual.

9) É divertido. A melhor parte de viajar com seu parceiro é a quantidade absurda de diversão que vocês podem ter juntos. Ver o mundo como casal é uma experiência indescritível que pode gerar uma ligação sem precedentes entre vocês – uma das maiores razões para viajar ao lado dele! 

terça-feira, 17 de março de 2015

UM BRINDE A SOCIEDADE CORRUPTA QUE RECLAMA DA CORRUPÇÃO - POR JANINNE DIAS

Quando a população se sente uma vítima inocente da corrupção e descaso egoísta, e ignora sua colaboração direta para a proliferação dos mesmos. Ninguém é inocente. E os políticos são um reflexo da sociedade que eles representam.

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O assunto político tem tomado grandes proporções ultimamente. As mídias sociais estão repletas de revoltas contra os políticos em geral e afirmações extremas sobre os mesmos, o ódio contra a corrupção que afeta a população é mais do que aceitável, é necessário. As páginas no facebook pedindo impeachment (mesmo que escrito errado) da presidente e esbravejando contra a corrupção dos poderosos ganham milhares e milhares de seguidores todos os dias e defensores mais que calorosos. Pessoas que votaram em um candidato se sentem superiores e adoram gritar aos quatro ventos que não colaboraram com o caos regrado à corrupção que temos vivido atualmente. Será?
Quando nos perguntamos o porquê de ser praticamente impossível encontrar um candidato com a ficha limpa bem posicionado no Brasil, dificilmente obtemos respostas. O problema em geral está na população. É isso aí, somos nós mesmos, que não apenas tememos o desconhecido como colaboramos diretamente para a corrupção geral.
Sabe aquele dinheiro que você, mesmo vendo o rapaz derrubar, botou no bolso correndo antes que ele percebesse que caiu? Aquele dinheiro que, ao dar o troco, o atendente do supermercado te passou sobrando e você manteve silêncio e se sentiu satisfeito, sortudo? Àquele produto que você comprou baratinho mesmo desconfiando que era roubado, àquela prestação que você espera “caducar” no sistema de proteção de crédito e não pretende pagar nunca? E aquele dia que você fingiu estar dormindo no banco colorido do ônibus para não precisar ceder o lugar para a gestante ou o idoso que entrou? Você entrou pelas portas traseiras do ônibus se sentindo o maioral e ainda é cheio de desculpas? Pois é. Sabia que os políticos corruptos também inventam um monte de desculpas para justificar seus atos? Você é tão corrupto e egoísta quanto os odiosos políticos que você acusa com tanto ardor.
Ônibus.jpg http://elisefernandamello.pbworks.com/f/%C3%94nibus.jpg
Você sai por ai, esbravejando contra todos e se sentindo vítima da corrupção que você mesmo alimenta, mas está sempre tentando levar vantagem em tudo. A diferença entre você e os nossos políticos é que você tem menos poder. Do contrário, seria mais um se divertindo com o dinheiro público. Se você aproveita todas as oportunidades, mesmo que incorretas, para se dar bem nas situações, comece a pensar em suas atitudes antes de sair acusando por aí. Vamos aprimorar nosso próprio caráter para garantir melhores pessoas no poder futuramente, a começar por nós mesmos?
Obrigada.


Fonte: © obvious: http://lounge.obviousmag.org/vitrola_cultural/2015/02/um-brinde-a-sociedade-corrupta-que-reclama-da-corrupcao.html#ixzz3UkJY6vfj 
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segunda-feira, 9 de março de 2015

Slowling backing...


Apenas uma pausa... E que pausa, hein? 
Bem, o que interessa é que cá estou, voltando. Ainda a passos lentos, mas voltando!
Nesses meses todos tanta coisa aconteceu - maravilhosas, diga-se de passagem - e meus escritos muito provavelmente tomarão outro rumo, um rumo para uma prosa mais leve, mais tranquila, porque assim tem se encontrado meu estado de espírito: em paz e feliz. Bom, né?
Tenho lido pouco, muito menos que gostaria, mas observado mais, o que tem me dado bons panos pras mangas para refletir e resgatar minha vontade de escrever. 
Hoje vim só dar um 'hello', estou viva!
Prometo voltar muito breve!!!
Beijosss

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Biologia do Amor - Fernanda Pompeu



Imagem: Pictours Paris

Existem! Amor sem sexo. Sexo com amor. Amor com sexo. Amor com amor, também. Homem que ama mulher. Homem que ama homem. Mulher que ama mulher. Homem que ama mulher que ama outro homem. Mulher que ama mulher que ama outra mulher. Experimenta aí escrever as variações. O papel vai acabar antes que você lembre de todas.
Tem gente que ama mais os animais do que as pessoas. Há quem prefira o papagaio ao filho. O cachorro ao vizinho. O porquinho aos alunos. Tem quem ama gente e animais do mesmo jeito. Há quem ame a si próprio acima de tudo. E aqueles, poucos é verdade, que amam mais o outro do que a si mesmos. 
Há amor gratuito, amor comprado, amor vendido. Amor à vista, amor à prestação. Amor que vira amizade. Amor que vira indiferença. Amor que vira ódio. Amor que vira mais amor. Amor que dá em namoro. Amor que dá em divórcio. Amor dá em filhos. Até amor que dá em morte.
Amar é necessidade. Você sempre encontra a quem dedicar seu amor. Que seja um gatinho - meio rato, meio torto. Que seja um ídolo - perfeito e distante, perfeito porque distante. Pode ser sua sogra, seus sapatos, seu trabalho, seu nariz. Ou mesmo aquela pessoa que você demorou treze anos para enxergá-la em infinito.
Todas as coisas do universo são passíveis de amor. O sujeito que ama ideais e topa se sacrificar por eles. A artista que ama tanto sua arte que aceita morar muito mal por ela. O cão que ama seu dono violento. A dona que ama seu cão velho, cego, surdo. O soldado que ama a guerra. A feirante que ama seus tomates e jilós.
Por tudo isso, tem gente que diz que o amor é uma espécie de milagre. Ele surge de repente, cai do céu, salta de debaixo da terra, aparece do nada. Amor não tem origem previsível, nem destino certo. A matemática, a metafísica, a ciência toda não são capazes de explicá-lo. Nem mesmo a poesia é maior do que amor.
Ninguém toma conta dele. Ninguém pode controlá-lo. Amar é o que há de mais natural no mundo. Pessoas amam. Vacas amam. Focas, esquilos, macacos amam. Quem sabe até o mosquito da dengue também ame. Alguém pode provar o contrário?


segunda-feira, 8 de setembro de 2014

OS NOVOS DESAFIOS (?)



Imagem: Laiza Abreu


Narciso anda agoniando meu juízo. Só pode.
Hoje me toquei que estou danada publicando foto minha no instagram.
Contra-senso (ainda tem hífen?) absoluto com meu perfil.
Enfim, comecei a perceber meu comportamento quando pensava sobre a onda de "desafios" sem o menor sentido propagadas na internet. O precursor destes tinha um objetivo extremamente louvável, entretanto creio que o número de solidários que molharam a frio suas cabeças, em relação aos que efetivamente contribuiriam para pesquisa do ELA  tenha sido irrelevante.
É a cultura do ser visto a todo custo que as redes trouxe à vida de todos nós.
É a carência universal que predomina nesses novos tempos. Curta que eu te curto. Segue que eu te sigo. Comenta que eu comento...
É a imposição da felicidade externada.
Não estou dizendo com isso que começar a publicar foto chorando, acidentado, em velório. Minha reflexão é sobre a quem interessa se você está feliz ou não? Se está triste, não adianta ludibriar a si mesmo e aos outros, vá tratar de sua tristeza (a indústria farmoquimica agradece), ouça pessoas importantes pra vc (sempre há o que aprender). Apenas nós estamos interessados em nosso estado de espírito e acredito piamente que este não se conecta com a mentira, com o parecer ser. Ser você para você.
Voltando aos desafios... Se Narciso achava feio o que não era espelho, o problema foi resolvido. Pegue selfie!
O mais novo lançamento é o 'cara lavada' atuando entre nós, pobre mortais, e que não vamos ganhar um real por tamanha exposição.
Aviso logo aos engraçados que não inventem de me marcar em suas fotos.
Não há o perigo de eu ir a uma farmácia perto de casa sem um protetor solar, gloss e um litro de corretivo nas olheiras. Então cara lavada... I say no, no, no... Vaidade? Sim, sobretudo respeito ao próximo. Herdei de mamãe que herdou de vovó e assim por diante...
Sou fake assumida e discípula de que se pode melhorar, melhore, só não estrague.
Que tal desafiarmos a nós mesmos a ter atitude relevante e real diariamente? Finalizar suas pendências, procurar saber de colegas de trabalho, dizer que ama e o por quê para as pessoas mais próximas, ligar para um amigo distante.
O mundo real bate à nossa porta só precisamos enxergá-lo e viver uma vida de sentido.

Beijos!!


terça-feira, 2 de setembro de 2014

CARLA, O PARTY STYLE E EU









Oioioi!

Depois de muito tempo sumida, passo pra dizer que estou viva.
Viva da Silva e com novidades...
Fui convidada para colaborar no ótimo site Party Style.
Comecei ontema assinar a coluna comportamento do site, seguindo mais ou menos a linha do nosso Cotidiano Fotografado, porém mais voltado para o comportamento humano, aquelas neuras que tanto falei por aqui (vou dar uma revisada porque sempre há muito a acrescentar). Falarei um pouco do projeto do site para que vocês se familiarizem.
O site Party Style nasceu de um estrondoso sucesso no Instagram : O @partystyle_,que, por sua vez, foi criado de forma extraordinária e que tenho o maior prazer em contar-lhes.
Carla Câmara, uma graaande amiga (multiplique cada letra 'a' por 11. É o o tempo da nossa amizade) e uma mulher bem século XXI (assobia e sopra para dá conta de quinhentas coisas ao mesmo tempo: marido, filhos, trabalho, amigos, blá, blá, blá).
É biomédica, uma profissional exemplar, comprometidíssima (sempre foi estudiosa e me dava cola na escola em biologia e química. Obrigada, Carla. Graças a você hoje estou aqui escrevendo, poderia estar nas ruas...). Tem a tão sonhada estabilidade financeira (concursada pela UFRN e Polícia Militar), porém a custa de muito trabalho e plantões. Andava exausta há tempos. Estava no semblante, não reclamava.
Mas Carla tinha um sonho.
Sonhava com o universo da moda, o que o envolve, queria desbravá-lo, pesquisar com afinco, mas o tempo escasso não permitia. Com advento dos blogs, esse sonho foi tomando contorno de realidade, mas ainda havia um empecilho: sua timidez a tolhia.
Passado um tempo, eis que chega o Instagram! Ali estaria a oportunidade de aprender, compartilhar e o melhor: não precisaria se identificar! Foi então que decidiu que abriria o Party Style no anonimato.
Começa o desenrolar dessa história bacana demais, do tipo 'querer é poder'. Carla expõe seu amor pela moda, não apenas com os famosos Looks do Dia, mas também com vasta pesquisa sobre a história da moda, make up no melhor estilo DIY, moda acessível (para mulher 'normais' como eu e você que tem filhos, trabalha, vai a compromissos sociais..), várias dicas do que vestir em ocasiões, além do que andava acontecendo mundo a fora.
O Instagram tornou-se tão frenético em informações quanto a progressão geométrica de seus seguidores.
Party Style cresce a passos tão largos que em seis meses estava com mais de três mil seguidores nos calos!! À essa altura, Carla já havia deixado grande parte de sua timidez de lado e, FELIZ, começou a se jogar. Sai do anonimato, conta com publicidade ativa, começa a ir a eventos importante e é onde entra o SITE (e eu, né?).
Comecei a conversar sobre profissionalizar seu sonho, sugerindo a criação do site e em pouco tempo, a danada colocou no ar e lá estou eu! Pitaqueira de plantão. Aceitei. Pelando-me de medo, obviamente.
Sair da zona de conforto, escrevendo no meu blog sem compromisso algum, expondo minhas insanidades, devaneios, erros de português e tudo fica aqui, no limbo... Mas só morre quem está vivo!! Vamos lá!!!
Boa sorte para o  Party Style em sua nova empreitada e aguardo vocês por lá também!!